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Outubro Rosa - Combate ao câncer de mama - Doença que levou minha mãe

Oi gente!

Pensei muito antes de escrever este post, mas tomei coragem.
Vamos lá!

Outubro rosa é uma campanha que visa chamar a atenção das mulheres para o auto exame que pode salvar vidas, que pode ajudar no diagnóstico precoce do câncer de mama.

Já comentei aqui com vocês que a minha Mãe faleceu em 2009 decorrente de um câncer de mama super severo.
Mas Faby, ela não fazia exames de rotina?
Sim, ela fazia!  Era super regrada e todos os anos estava no médico fazendo todos aqueles exames chatos.  Fazia mamografia sempre!   

Mas o que aconteceu?

Não sei explicar os reais motivos e por isso prefiro acreditar que foi Deus quem quis assim.
Misteriosamente o câncer de minha mãe não aparecia nos exames.  Ela fazia os exames e estavam sempre todos normais.  
Gente!  Não coloquem caraminholas na cabeça, o caso de minha mãe é super exceção, não quero gerar polêmicas, apenas contar a história de luta da Dona Dina, uma confeiteira de sorriso fácil e a melhor mãe do mundo.

Descobrimos o câncer dela em 2008 quando ela estava com 58 anos.  Após detectar um tumor através da mamografia, o diagnóstico veio através de uma Ressonância Magnética.
Me lembro como se fosse hoje, fui com ela e o meu pai num hospital especializado em câncer aqui em São Paulo e lá vi o desespero nos olhos dela.   

Eu perdi o meu chão mas não transpareci, me mantive forte na frente dela, a abracei e disse que ela ia superar tudo isso, que estaríamos juntas nessa batalha!
Sai do hospital, fui para o trabalho e chorei o dia inteiro.  Mas cheguei em casa forte para ela.

Os dias passaram e logo ela iniciou a quimioterapia.
Dona Dina era extremamente vaidosa e se preocupava com a queda dos cabelos.
Ficou super feliz quando tomou a segunda dose de quimio e todos os fios continuavam grudados na cabeça.  Mas na terceira dose os cabelos despencaram TODOS em poucas horas.
Ela entrou no meu quarto para me mostrar e eu pegava os cabelos e escondia atrás de mim para ela não perceber a real quantidade de fios que estavam caindo, mas foi em vão.
Decidimos raspar a cabeça dela, acabar logo com o sofrimento de ver caindo aos poucos.

A levei numa loja de perucas e compramos a mais linda!  Aquela que se parecia demais com os cabelos naturais dela.
Já saiu da loja usando e toda sorridente.
- Faby, essa peruca é muito mais linda que meus cabelos naturais!   Foi o que ela me disse.

Ai que bom poder ver minha mãe feliz, mesmo com o coração despedaçado com a notícia do câncer.

Ela chegou a fazer a mastectomia de um quadrante, ou seja, ela retirou um pedaço da mama e ligou os linfonodos, que também estavam afetados.

Eu pesquisei demais tudo o que dizia a respeito de um tal de "Carcinoma Ductal Invasivo" e o mais assustador era essa palavra "invasivo".  Dizia que o câncer já estava avançado.   
Mas eu sabia que a palavra que eu não poderia ler jamais nos exames dela era "Metástase" e essa eu não tinha lido!

Foram 8 sessões de quimio e outras tantas de radioterapia.
Ela passava muito mal nos dias de quimio, era desesperador de ver.  Nas radios era bem mais tranquilo.

Em Abril de 2009 ela teve "alta", a médica lhe disse:   Dona Dina, vida nova!
Que felicidade!
Ela chegou em casa tão feliz aquele dia.  Me lembro como se fosse hoje.
O sentimento de vitória em nossa família foi muito comemorado.

Naquele mesmo mês eu tive um problema de relacionamento que me abalou demais e abalou demais a minha mãe.   Eu terminei um noivado faltando poucos meses para o casamento.
Eu sofria e ela sofria junto comigo, chorava junto comigo e foi muito difícil.

Aos poucos eu me recuperei e em seguida minha mãe começou a sentir algumas tonturas.
A levei ao pronto socorro e o diagnóstico:  "Labirintite"
Ela foi medicada porém não passava, continuava sentindo tonturas.

Resolvi falar com a oncologista dela.
E lá vamos nós fazer uma Ressonância Magnética para ver o que estava acontecendo.

Neste exame constava a palavra temida.
Minha mãe estava com Metástase, ou seja, o câncer tinha se alastrado para outros órgãos e o pior de tudo, cérebro e pulmão estavam afetados.
A médica nos avisou que minha mãe teria apenas três meses de vida.

Como assim?
Eu só tinha 27 anos, estava passando por um momento tão difícil de minha vida, como ela não estaria mais comigo em três meses?

Minha vida se tornou um pesadelo.
No dia que recebi a notícia, minhas pernas não responderam e eu fui pro chão.
Minha vontade era gritar, mas ela, que estava deitada no andar de cima da casa, não poderia escutar.

Eu, junto com minha família, decidimos que não contaríamos a real gravidade para ela, muito menos contaríamos que ela teria poucos meses de vida.

Contamos apenas que o câncer havia voltado e que ela teria que fazer mais algumas sessões de radioterapia.

Nessa fase ela jã não conseguia mais levantar da cama.  A tontura era tão forte que ela caia.

Decidimos que manteríamos ela em casa o máximo de tempo que fosse possível e assim foi feito.
Até este momento, ninguém da família dela sabia que minha mãe tinha câncer.  Ela tinha tanta certeza de que sairia bem desse problema, que ela decidiu não contar para ninguém, para evitar chatear os parentes.

Como eu sabia que a situação era gravíssima, com jeitinho a convenci a contar para os familiares e assim foi feito.  Ela contou sobre o câncer e eu contava em off que minha mãezinha era uma doente terminal.

Tivemos muita ajuda dos familiares nessa fase.
Minhas tias ficavam com ela durante o dia para que eu e meus irmãos pudéssemos trabalhar.

Em poucos dias além da tontura absurda que ela sentia, ela parou de comer, nada mais ficava no estômago dela, foi hora de internar.

Eu dormia no hospital com ela e no dia seguinte ia trabalhar.  Fiz isso durante 14 dias seguidos.  Ninguém do meu trabalho sabia o que eu estava passando.  Eu ia trabalhar arrasada todos os dias, mas as pessoas achavam que o meu sofrimento era por causa do ex noivo.   Mal sabiam que eu nem lembrava que o coitado existia.

Minha mãe piorava a cada dia.  Um dia não andava mais, no outro não enxergava mais, no outro não falava mais. Sinal de que a doença estava acabando com ela.  Muito triste ver essa situação.

Quando a minha mãe estava no limite, muito debilitada mesmo, "apareceu" um médico oncologista lá no hospital, chamou os meus irmãos e disse que teríamos uma saída, que teríamos que autorizar uma cirurgia de emergência na minha mãe, eles iriam retirar toda a mama dela.  Mastectomia total, porque assim retirariam o foco principal.  Esse médico nos deu muita, mas muita esperança.   Não pensamos duas vezes, autorizamos!

Lá foi minha mãezinha para a sala de cirurgia.  Em alguns momentos ela tinha consciência e me lembro que ela ficou muito feliz de fazer essa cirurgia.  Com muita dificuldade ela me disse que com a mama ela estava fadada a morte.

A cirurgia foi feita, ela foi para a UTI e no dia seguinte já estava no quarto.
Extremamente debilitada, já não falava mais nenhuma palavra, só abria os olhos raramente.

Como eu dormia com ela todas as noites, ela sempre pedia para eu segurar suas mãos, durante a noite inteira.  E assim eu fiz naquela noite de 07-09.
E no meio da madrugada, minha mãe sentou na cama e começou a rezar uma oração enorme e ela falava perfeitamente.
Com lágrimas nos olhos eu a acompanhei na oração e eu não entendia o que estava acontecendo. 
Minha mãe tinha tido uma melhora assustadora!
E ela pediu para eu chamar os meus irmãos e o meu pai.  Eu ainda falei para ela que eles não iriam conseguir entrar no hospital pois não era horário de visita, que apenas eu poderia estar ali com ela.
Ela foi incisiva e eu liguei para eles e ela mesmo conversou com eles por telefone, porque sabíamos que aquela ligação durante a madrugada iria assusta-los, já pensando no pior.

Meus irmãos e meu pai foram até o hospital e conseguiram entrar.  Naquele minuto não tinha ninguém na recepção.

No quarto minha mãe disse que "lá" não tinha dor e nem sofrimento e que o "Altíssimo" sabia de tudo.

Não sei explicar o tanto que esse momento foi divino e assustador ao mesmo tempo.

Após orarmos juntos, de mãos dadas, eles foram embora e eu e ela adormecemos de mãos dadas.

No dia seguinte fui trabalhar, com meu coração mais sereno, afinal minha mãe estava melhorando.  Eu tinha certeza que aquela cirurgia era o motivo de tal melhora.

No final do meu expediente caiu uma tempestade na cidade, muitos alagamentos e eu não consegui atravessar a cidade para ir ao hospital.
Pedi para o meu pai dormir lá com ela.
No dia seguinte eu não iria trabalhar e ficaria com ela.

Dia 09-09-09, acordei, tomei banho, me arrumei, liguei para meu chefe avisando que a minha mãe não estava se sentindo bem, que eu iria passar o dia com ela e já estava saindo de casa quando o telefone tocou.
Era o meu pai, com a voz trêmula, falando que a minha mãe tinha tido um "infarto".  Eu sabia o que isso significava, eu perdia a minha mãe.
Tive uma crise de nervos naquele momento, eu estava sozinha em casa e comecei a gritar, gritar muito, de desespero.   Minha mãe tinha me deixado.

Os vizinhos foram me socorrer e um primo foi me buscar em casa para me levar para o hospital, os vizinhos não me deixaram dirigir sozinha.

Cheguei no hospital, encontrei meus irmãos e meus pais na porta do hospital.
Nos abraçamos e deixamos ali todas as lágrimas que poderíamos derramar.
Era um mix de sentimentos, uma dor absurda misturada com um alivio de saber que ela não estava mais sofrendo e que "lá" onde ela estava não existia nem dor e nem sofrimento.

E a melhora que ela teve?
Acredito que foi um fenômeno chamado "quase morte" onde a pessoa apresenta uma melhora significativa antes de morrer.

Voltar para casa, sabendo que ela não estava mais lá foi muito difícil.
Os primeiros dias foram de enlouquecer.  Eu pensei que não aguentaria, que minha vida também tinha ido embora.

Ahhh, lembram daquela cirurgia "milagrosa"?
Pois então, o médico que fez nunca voltou no quarto dela para dar uma explicação do que foi feito, ele simplesmente SUMIU!
Não gosto de julgar mas nada me tira da cabeça de que aquela cirurgia foi uma fraude.  Não sei se seria para "estudar" o câncer de minha mãe ou se foi para superfaturar a conta para o convênio.
Não sei!  Foi tudo muito estranho.  Ela já era uma doente terminal, o médico nos deu esperanças demais, não foi normal.
Mas enfim.... não vai trazê-la de volta, né?

Nos primeiros meses eu me revoltei.
Eu não conseguia ouvir a palavra CÂNCER e fiquei muito cética, para mim, câncer era sinônimo de morte.

No velório de minha mãe muitas pessoas me disseram que a doença dela se agravou após ela sofrer junto comigo por causa do tal ex noivo, mas eu não acredito.  Acredito que já estava muito grave a situação dela.

Mas Faby, porquê você está contando essa história triste?
Porque eu desejo, do fundo do meu coração que outras mulheres não passem o que a minha mãe passou.
Desejo que exames de rotina sejam bem feitos, que médicos solicitem exames independente de seu valor, porque se minha mãe tivesse feito uma Ressonância Magnética o câncer poderia ter sido descoberto antes, mas entendo que não é protocolo médico pedir ressonância sem uma causa específica, apenas como exame de rotina.
Desejo que todo mundo que precisar passar pela quimio, que passe se sentindo linda com a peruca nova.
Desejo que as famílias sejam unidas e que a mulher tenha o apoio do marido, companheiro, companheira ou quem quer que seja para apoia-la.
Desejo que o auto-exame seja feito regularmente por todas nós!
Desejo que a cura seja descoberta o quanto antes.

Faby, você tem medo de ter câncer?
Como vocês sabem, eu tomei muitos hormônios para as fertilizações que eu fiz e eu tive sim receio por causa do câncer de minha mãe.
Conversei muitas vezes com meu médico e ele me tranquilizou.  Não existem estudos que comprovem a relação do uso de hormônios com o câncer.
Até porque minha mãe nunca tomou hormônios, tinha uma vida super regrada, com alimentação super saudável e fazia atividade física todos os dias.
Ah e pela idade que ela descobriu o câncer, não é tão hereditário.
Não sei explicar todas essas regras para vocês, só sei contar tudo como aconteceu com minha mãe.

Quando eu finalizei a minha segunda fertilização in vitro eu senti um pequeno carocinho na minha mama esquerda.
Conversei com o meu médico e eu fiz uma Ressonância Magnética.  Estava tudo OK, apenas pequenos nódulos de gordura por ser uma mama muito densa.

Todos os anos faço acompanhamento e repito todos os exames.
Mesmo com 33 anos, já fiz mamografia.

O caso de minha mãe foi atípico porque os exames só detectaram o câncer dela após muito tempo de evolução.
Na época eu procurei um oncologista especialista para que ele analisasse os exames de minha mãe e ele me disse que ela tinha a doença há aproximadamente 10 anos.  Que a mamografia não mostrava por ser um tumor muito profundo, que ao apertar a mama no aparelho, o tumor entrava e não aparecia nas imagens.
E ele salientou que é raríssimo de acontecer.

Por um tempo eu briguei com Deus, mas já fizemos as pazes e hoje eu carrego no meu peito apenas uma saudade da minha mãe.  Não sofro mais e raramente choro por ela.  
Sei que ela está num bom lugar e acredito sim que tem o dedinho dela no meu casamento e no nascimento dos meus filhos!  
Sei que lá de cima ela me olha, me protege e está feliz comigo.

Deixo aqui essa foto saudosa.
Nós duas de mãos dadas!  Para a eternidade.



Beijos
Faby




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Sobre Fabiana Cayres

Fabiana, 34 anos, especialista em Tecnologia da Informação. Portadora de endometriose e após quatro tentativas de Fertilização in vitro, tornou-se a mamãe dos gêmeos Mariana e Gabriel. Neste cantinho vou compartilhar com vocês a rotina maluca de uma mamãe de gêmeos que não tem ajuda para cuidar dos pequenos. Sou mamãe de primeira viagem e de gêmeos!

3 comentários :

  1. Nossa Faby... você é uma guerreira.
    No dia 17/02/15 também perdi minha mãe para o câncer (pâncreas ).... foi tudo de repente... na ocasião eu estava grávida de 35 semanas e sinceramente eu achei que fosse morrer junto...Eu sempre conversei com meu marido que não queria ter filho muito tarde, pois eu não tive convivência com meus avós.... não conheci nenhum e não queria que fosse assim com a minha filha.... depois de 5 anos de casados decidimos engravidar(eu com 28 anos)... mas a vida me deu essa rasteira e a levou com 58 anos. O médico explicou que o câncer dela estava em um lugar do pâncreas que estava impossível de mexer.... e só com o exame para fazer biópsia o pior aconteceu....
    Dia 19/03 minha filha nasceu... e antes de entrar pra sala de parto eu só pensava nela... nossa chorei muito.. muito mesmo pois não a teria do meu lado como eu havia planejado.... fiquei tão estressada e emocionalmente abalada que afetou na minha produção de leite... mas graças a Deus a minha filha é super saudável.
    Ainda não amadureci o suficiente pra sentir saudade... Eu sinto muita dor e não consigo aceitar o que aconteceu... pode parecer contraditório... Eu sou muito feliz por ter a Melissa comigo... mas ao mesmo tempo sinto um vazio... uma dor muito grande... fico muito mal quando vou na casa do meu pai, por vê -lo sozinho... nossa como me machuca.. mas enfim
    sei que Deus vai me confortar dessa dor e vou passar pra minha filha a avó maravilhosa que ela teve.... e serei forte para criar a minha filha, afinal tenho um esposo, pai e irmãos maravilhosos.
    #mãesaudadeeterna #teamoprasempre

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  2. Que historia, impossível de não se emocionar, eu convivi com o câncer a minha vida inteira, minha avó teve câncer de mama e uma mastectomia antes mesmo deu nascer, ela não tinha um dos seios e conheci ela assim, apos o câncer, mais de 20 anos depois o câncer voltou, dessa vez no reto, e eu convivi com as químios, as rádios, fui eu que ouvi do medico que minha avó tinha metáfase e não tinha mais jeito, fui eu que soube que ela morreria de uma parada cardio respiratória, fui eu a primeira a saber da morte dela e contar para o resto da familia, eu convívio diariamente com o câncer durante dois anos da minha vida... Ela morreu antes do meu filho nascer e sei q ela ficaria tao feliz em conhece lo, minha avó foi uma grande mulher e admiro a força que ela teve com a doença, sabe, eu nunca tive raiva do câncer, nem de Deus, quando ela morreu me deu aquele alivio que ela estava descansando e bem, sem sofrimentos. O câncer da minha vó é hereditário, mas eu sei que com o diagnostico precoce tanto eu, minhas tias e minha mae vão poder passar pelo menos uns 20 anos a mais com a gente, e isso me conforta, foi nos 20 anos a mais que minha avó teve que eu pude conhece-la...

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    1. Peço sempre pra Deus confortar meu coração... não é fácil né... e 6 anos atrás o meu pai também passou pelo câncer de próstata... mas ele sabia dessa pré disposição a doença desde novinho, pois o exame sempre dava alterado. Mas ele fez a radioterapia e a 2 anos só faz acompanhamento de rotina.

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