Como passei pelo Baby blues no pós parto.

Oi gente!
Tudo bem?

Faz tempo que quero escrever sobre esse assunto.  Esse assunto que tirou o meu sono e por muitas vezes o meu sorriso durante o período mais feliz da minha vida, a chegada dos meus filhos.

Como vocês sabem, eu lutei muito para ser mamãe.
Foram muitas angústias, muito sofrimento para enfim receber o meu positivo e gerar os meus filhos.

Quando eles chegaram me senti completa e realizada.
Ver aqueles rostinhos lindos, tão frágeis e tão dependentes de mim me fazia sentir um mix de sentimentos.
Eu, mamãe de primeira viagem, com dois bebês ali para eu cuidar e me dedicar.

Sempre fui muito determinada e decidi cuidar dos gêmeos sem ajuda de babá e como não tenho mais a minha mãe (ela faleceu há seis anos de câncer de mama), sabia que não teria ajuda e resolvi encarar a minha maternidade.
O meu obstetra, minha nutricionista e muitas outras pessoas me diziam que eu não ia conseguir, que era impossível.
Fui categórica e mantive a minha decisão.

Dia 26-03-15, eu e meu marido chegamos em casa carregando nossos tesouros nos braços.
Que felicidade!
Ver os berços recheados me deu a maior sensação de vitória da minha vida.  Eles estavam ali!

Na primeira noite eu não dormi, passei a noite inteira olhando pela babá eletrônica os meus dois pequenos dormindo.  A qualquer respiro mais forte, lá estava eu, grudada no visor.

A felicidade era plena, mesmo cansada por não dormir, lá estava um sorriso estampado no meu rosto.

Porém, uma semana após o nascimento dos bebês, meu sorriso foi diminuindo e uma tristeza que parecia não ter fim invadia o meu corpo e machucava a minha alma.
Como assim tristeza?   Como eu posso estar triste depois de vencer a maior batalha da minha vida?  Os meus filhos estavam ali, cheios de saúde e amor, esperando pela mamãe amorosa, mas essa mamãe só tinha vontade de chorar.

Eu chorava todos os dias!
Eu sentia uma tristeza imensa todos os dias!
Eu tinha vontade de sumir, todos os dias!

E juro, não era só de cansaço não.
Era de tristeza mesmo.

Eu tive muita dificuldade com a amamentação.
Meus bicos são invertidos e eu não conseguia amamentar de jeito nenhum.  Tive ajuda de enfermeira, doula, médico e nada!  Eu precisava estimular os bebês para mamarem e tirar leite muitas vezes ao dia.

Tive mastite, duas vezes!
Febre altíssima e hospital.

E a tristeza?
Essa aumentava a cada dia.

Como eu sentia falta da minha mãe.
Se ela estivesse ali acho que teria sido mais fácil.

Eu sabia o que era o Baby Blues e eu tinha plena certeza que eu estava passando por ele.
Por mais que eu soubesse, não conseguia me livrar daquela angústia.

Quando chegava a noite eu sentia até taquicardia.
Eu passei a dormir na sala, que era ao lado do quarto dos bebês.
Deixava o marido dormir a noite inteira para poder trabalhar no dia seguinte.
Aqueles momentos de solidão na madrugada era o ápice da tristeza.
Eu não dormia porque revezava com os gêmeos.  Quando um estava dormindo o outro estava acordado mamando.
Quando dava 06:00h da manhã o papai acordava e eu ia dormir por duas ou três horas.
Seguimos quase três meses nesse esquema.

Eu rezava, rezava muito pedindo para Deus tirar aquela tristeza e trazer de volta o meu sorriso.

E eu sabia que não poderia aumentar, se a tristeza aumentasse ou se pensamentos ruins invadissem a minha mente seria a hora de procurar ajuda, porque o Baby Blues pode evoluir para uma depressão pós parto.

Eu me sentia como se ninguém me entendesse, e quer saber?  Acho que ninguém entendia mesmo.  Era contraditório dizer que eu estava triste após realizar o meu sonho.

Fiquei rude com as pessoas, principalmente em relação aos "palpites" sobre os meus bebês.  Eu faltava bater em quem chegasse na minha casa e ousasse mudar a rotina dos meus gêmeos e sim, isso acontecia.  
Sem contar que o meu bebê começou a sentir muitas cólicas e eu sofria junto ao ver meu príncipe sofrendo.

Meu marido ficou sem saber como reagir com aquela esposa que só sabia chorar.  Ele também não entendia.

Ou seja, eu estava sozinha nessa!

Mesmo com essa tristeza absurda eu sempre dei muito amor para meus bebês e sempre cuidei com todo carinho.  Eu sabia que se não fosse assim, algo muito sério estava acontecendo.

E nessa fase, meu leite começou a secar e eu me desesperei.  
Conversei com o pediatra e ele me deu um remédio que aumenta a produção.
Não pesquisei nada sobre o remédio, apenas comprei e comecei a tomar.

Meu leite aumentou consideravelmente e aos poucos o sorriso foi voltando para o meu rosto.
Aquela angústia foi ficando para trás e enfim superei um Baby Blues cheio de lagrimas.

Na época eu não tive tempo de pesquisar profundamente sobre o Baby Blues.  Eu apenas o enfrentei.
Depois de um bom tempo eu descobri que o remédio para aumentar o leite ajudava também no Baby Blues, pois era um antidepressivo.

Então deixo aqui o meu relato dessa doce e amarga fase da vida das mamães.
Se vc é uma mamãe que está passando por isso, se acalme, vai passar e se você perceber que não está passando, peça ajuda médica.
Se você é um papai ou uma pessoa próxima a uma mamãe que está passando por essa fase, dê muito carinho, atenção e explique para a mamãe que vai passar!   E entenda!  Mesmo a mamãe passando pela fase mais feliz de sua vida, mesmo não querendo sentir essa tristeza, muitas vezes ela não controla, por isso, sua sensibilidade é o que mais pode ajudar.

E assim essa fase passou e outras chegaram!   

Olha a gente ai!
Já dá uma saudade deles pequeninos assim:





















Beijos
Faby
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Sobre Fabiana Cayres

Fabiana, 34 anos, especialista em Tecnologia da Informação. Portadora de endometriose e após quatro tentativas de Fertilização in vitro, tornou-se a mamãe dos gêmeos Mariana e Gabriel. Neste cantinho vou compartilhar com vocês a rotina maluca de uma mamãe de gêmeos que não tem ajuda para cuidar dos pequenos. Sou mamãe de primeira viagem e de gêmeos!

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