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Relato dos meus abortos.

Oi gente!

Hoje os geminhos completam um ano e quatro meses!
Por coincidência me deu vontade de fazer brigadeiros e enquanto fazia os docinhos um filme passou na minha mente.

Eu aprendi a fazer esses brigadeiros durante as minhas tentativas frustradas para engravidar.
Me sentia triste, muito triste e a ansiedade aumentava cada vez mais e para "relaxar" um pouco e tirar o foco da possível gravidez, fui fazer cursos de gastronomia.

Foi uma época muito triste de minha vida mas não me arrependo, faria tudo de novo, lutaria pelos meus filhos até o meu ultimo suspiro.

Eu falava para meu marido que eu jamais seria feliz se não fosse mãe.  Sei que é pesado mas era o que o meu coração sentia.   Sempre sonhei em gerar meus filhos e tentar e não conseguir era realmente frustrante e sofrer era inevitável.

Eu mal sabia que minha batalha estava apenas no começo.   
Pior do que não engravidar, é engravidar e abortar.

Durante os primeiros meses de tentativas eu fiz um teste de farmácia e apareceu uma segunda linha, bem clarinha no teste.  Me lembro como se fosse hoje.  Eu vi a linha fraquinha mas não liguei, deixei o teste em cima da pia do banheiro para que meu marido visse ao acordar.   O teste ficou lá o dia inteiro e no final do dia ele pegou e também viu a tal linha.  Pegou o carro e foi correndo me buscar no trabalho.   Quando ele me ligou dizendo que também estava vendo a segunda linha, corri para uma loja de roupinhas de criança e comprei um body escrito "Papai eu te amo" e quando ele chegou entreguei para ele.  Afinal, eu estava grávida!    

Sempre li que quando aparece a segunda linha, independente de qual tonalidade, é sempre positivo, não existe falso positivo.

Mas a única coisa que tinha de positivo era a minha frustração que aumentava a cada dia.  Após esse teste, minha menstruação atrasou alguns dias mas veio.

Eu tive uma "gravidez quimica" que é quando ocorre a fecundação mas por algum motivo o embrião não consegue se fixar totalmente no útero.  A produção do Beta HCG começa e logo em seguida para e a menstruação chega.

Foi isso que aconteceu comigo.   Fiquei bem triste, mas de novo, eu nem imagina o que me esperava nesse mundo de "tentante".

Na minha segunda FIV, na véspera do Natal de 2013, fiz um teste de gravidez e lá estava o meu positivo!   Era o meu D9, ou seja, nove dias após a transferência.   A linha ainda estava fraca, mas muito perceptível.   Naquele mesmo dia anunciamos para a família inteira durante o almoço de Natal.  Foi tão emocionante!   Era a primeira vez que eu via a segunda linha num teste de gravidez e eu me sentia a pessoa mais plena da face da Terra.   Que felicidade.

No dia seguinte fiz o meu exame de sangue, o oficial.   Lá estava o meu positivo, estava realmente grávida, mas no meu coração achei o valor baixo.   40!  E como dizem, coração de mãe não se engana, não é mesmo?

Tive uma gravidez Heterotopica, ou seja, um embrião fixou na trompa e outro no útero.   Tive que fazer diversos Ultrassons para verificar se o embrião que estava na trompa pararia de evoluir ou teria que retira-lo através de cirurgia.  Ele parou de evoluir e não precisei operar mas o embrião que estava no útero também parou de evoluir.    Não cheguei a ouvir o coração.

Naquele dia, na sala de ultrassom a minha vontade era de sair gritando, me desesperei.
Comparo aquela dor à dor de perder a minha mãe.   Era a mesma dor que eu senti em ambos dias, ao me despedir da minha mãe e ao receber o diagnostico de aborto retido.

Mas como podemos sofrer por alguém que não conhecemos, que não chegamos a se quer tocar?
O amor por um filho é tão grande que perdê-lo em qualquer idade, mesmo que seja idade gestacional a dor é enorme.

Me revoltei e briguei com Deus!
Se era para eu perder, porque Deus me deu?
Não entendia.

Gente!  Na minha ignorância, seria impossível ocorrer um aborto após uma FIV,
Eu achava que era mais "garantido" por ser FIV.

Mas a verdade é que Deus é o doador da vida, não existe isso de ser mais garantido, se não é a hora, não acontece.

Desde criança eu tinha uma certeza muito grande no meu coração.  Eu seria mamãe de gêmeos!
E ali eu me vi perdendo os meus gêmeos.  Os meus dois embriões estavam mortos, dentro de mim.

Parei de tomar a medicação e no dia seguinte, no banheiro do laboratório onde eu estava fazendo os exames para investigar o aborto, começaram as contrações e eu abortei.   Estava de oito semanas.   O bebê que estava na trompa não precisou ser retirado, o próprio corpo o absorveu.

Chorei muito, peguei licença de 30 dias do trabalho e nesse período cuidei de mim, do meu corpo e da minha alma.

Nessa época eu já tinha a minha conta no Instagram, que era anônimo, ninguém sabia quem eu era e lá eu tive muito consolo e do meu marido também.

Descobri que apenas quem passa por um aborto sabe o tamanho da dor.   A maioria das pessoas me falavam que "Deus sabe de todas as coisas..." ou que "não era a hora" mas não era isso que eu queria ouvir, na verdade eu não queria ouvir nada, queria apenas estar gerando um, ou duas vidas!

Ouvi também de algumas pessoas que eu não deveria contar sobre a gravidez antes de completar 12 semanas, como se estivessem me culpando por ter abortado.   Você contou, abortou!   Tudo isso me entristecia mais ainda.

O meu período de luto passou e lá estava eu na clinica de fertilização para mais uma tentativa.

Injeções, estimulação ovariana, internação para retirada dos óvulos, espera para ver a evolução dos embriões, implanta na útero, faz repouso, faz teste de farmácia e....  POSITIVO!

Fiz o teste de farmacia no D8 e apareceu a segunda linha bem fraquinha mas já considerei positivo e fiz surpresa para o marido!   Fomos jantar e lá entreguei o meu teste positivo para ele.   Jantamos e comemoramos!

Chegando em casa notei um pequeno sangramento e me desesperei.   Sabia que não era um bom sinal.   No dia seguinte fui trabalhar e o sangramento aumentou.   Liguei para o médico que me pediu para ir para casa e fazer repouso absoluto.

Dois dias depois fui fazer o Beta HCG e lá estava mais um positivo.  46!  Novamente achei o valor baixo mas poderia ser apenas um bebê.   O médico pediu para eu refazer o beta após 48 horas, precisava dobrar e dobrou!  91! Fiquei feliz mas não tranquila.

No meu coração eu já sabia que algo não estava bem e de novo, coração de mãe não se engana.   Depois de 3 dias, por conta própria fui repetir o beta e o valor não tinha mais dobrado.  

Falei com o médico que mandou eu parar a medicação e aguardar o aborto natural.
Pensei que abortaria no dia seguinte, como da outra vez mas não foi isso que aconteceu.

Meu médico prefere o aborto natural do que a curetagem e eu aguardei o prazo máximo dado por ele, 40 dias.

No último dia do prazo, em pleno dia das mães, comecei a sentir as contrações e abortei.

Poxa Deus!   Abortar no dia das mães é muito para uma pessoa que sonhou tanto em comemorar esse dia.

Sofri, claro!  Mas não tanto como no primeiro aborto.

Não peguei licença do trabalho e lá nínguem soube que eu estava trabalhando com um embrião morto dentro do útero.   A minha tristeza era aparente mas eu levava um dia de cada vez.   Fazia o meu trabalho direitinho e voltava para casa caminhando (4km) pensando na vida e rezando para o meu futuro bebê.

Sim, nessa fase eu tinha feito amizade com Deus novamente.

Se com Ele é difícil, imagina sem Ele no coração?

Após o aborto lá fomos nós para mais uma tentativa, essa seria a quarta!

Nessa tentativa eu sentia uma tranquilidade assustadora.
Fiz todos os passos tranquila.
Tive seis óvulos de ótima qualidade e os meus dois guerreiros viraram lindos blastocistos.

Vieram para a barriga da mamãe num dia em que meu marido estava viajando a trabalho e foi meu irmão quem me acompanhou na clinica e ficou comigo em casa.  Minha cunhada fez o meu almoço e passaram a noite em casa.

No dia seguinte o futuro papai chegou.

Fiz bastante repouso e no D6 fiz o teste de gravidez e lá estava a segunda linha bem linda!




A linha mais forte da vida!   Sai chorando do banheiro, abracei o papai e disse:  "Os gêmeos estão chegando!"

No dia do Beta oficial, no D10 o valor era 179 e no D12 era 1529.   Eu tinha certeza que eram gêmeos!














Uma semana depois confirmamos que eram gêmeos!









Tive uma gravidez sem nenhuma intercorrência e os gêmeos chegaram no nono mês pesando 3,2kg cada um!

Gratidão, essa é a minha palavra da vida!

Mas porquê você decidiu fazer esse post?  Você já está com os seus bebês nos braços!

Deixo aqui o meu relato para vocês, que pesquisaram sobre as tentativas de ser mãe e caiu aqui no meu Blog.   Essa é a esperança que eu quero passar.

No meu caso as minhas chances eram muito pequenas e eu tenho gêmeos.   Por mais difícil que a sua história possa ser, não desiste, persista e insista!   Quando Deus quer, nada impede.

Precisamos fazer a nossa parte e deixar Deus agir.

Eu sei que agora parece ser fácil dar esse conselho para vocês porque afinal, já sou mãe, mas do fundo do meu coração, acreditem!  Acreditar e ter fé equivale à 100% do sucesso.

Beijos
Faby   
@faby_mamaedegemeos


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Sobre Fabiana Cayres

Fabiana, 34 anos, especialista em Tecnologia da Informação. Portadora de endometriose e após quatro tentativas de Fertilização in vitro, tornou-se a mamãe dos gêmeos Mariana e Gabriel. Neste cantinho vou compartilhar com vocês a rotina maluca de uma mamãe de gêmeos que não tem ajuda para cuidar dos pequenos. Sou mamãe de primeira viagem e de gêmeos!

5 comentários :

  1. Lindo... Deus é realmente perfeito... tenho sonho de ser mãe de gêmeos não tem casos na minha família é isso me desanima. No seu caso foi inseminação? Eu e meu marido pensamos nessa possibilidade. Sua história é realmente linda

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  2. Lindo... Deus é realmente perfeito... tenho sonho de ser mãe de gêmeos não tem casos na minha família é isso me desanima. No seu caso foi inseminação? Eu e meu marido pensamos nessa possibilidade. Sua história é realmente linda

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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