Geminhos na Escolinha

Oi gente!!!!
Hoje quero contar para vocês a nossa experiência com os geminhos na escolinha.

Quem nos acompanha no Instagram sabe da nossa saga para conseguir as vagas na Creche em Paris.
Lá é tudo muito diferente do Brasil, conseguir uma vaga na Creche, seja ela pública ou privada é como procurar agulha no palheiro.

Mas enfim, quando estávamos quase desistindo, conseguimos!!!!
E não em apenas uma opção, mas sim em duas!
Conseguimos uma Creche em período integral ou uma Halte Garderie, que é como se fosse um jardim da infância mas não são todos os dias, são apenas três vezes por semana por quatro horas e as crianças apenas brincam.
Como os geminhos já estavam na Creche quando conseguimos a opção de Halte Garderie, não mudamos, eles continuaram na Creche.

As aulas acabaram no dia 29-07 e eles entraram de férias.
Em Agosto decidimos aproveitar essas férias no Brasil.
Viemos para passar apenas 15 dias, para eu batizar meu sobrinho e para matarmos a saudade de nossas famílias.
Mas como nossa vida é muito maluca, tivemos que estender nossa estadia por aqui por conta do trabalho do papai.

Fiquei muito preocupada com a Creche dos geminhos em Paris, foi tão difícil de conseguir essas vagas que eu fiquei com medo de perdê-las.

Conversamos com a Diretora da Creche e ela nos acalmou, dizendo que nossas vagas estavam garantidas para quando voltássemos, ufa!
Mas ela também nos orientou a coloca-los na Creche aqui, já que ficaríamos por mais de um mês longe e eles poderiam estranhar demais na volta e perderíamos toda a nossa adaptação.

Como as coisas aqui no Brasil são bem menos burocráticas, na primeira escolinha que fomos, conseguimos matriculá-los por apenas um mês.

Fiquei tão feliz!

Fizemos a matrícula num dia às 18:00h e no dia seguinte, de manhã os dois já estavam lá.
Entramos junto com eles, fui conhecer as professoras, eles nos soltaram e já começaram a brincar.
Não fizemos adaptação, eles já estavam adaptados.
Confesso que foi uma surpresa para mim.   Eu esperava pelo menos um chorinho, um "MAMÃE" mais dengoso, mas nada!  Absolutamente nada!

Na hora de buscá-los, vieram contentes e felizes.  Sinal de que estavam felizes, que gostaram.

Mas agora quero contar para vocês como foi a nossa adaptação lá em Paris.
Porque foi lá onde os nossos laços foram cortados.  Foi quando nos separamos.

Eu me dediquei à maternidade exclusivamente por quase dois anos e meio.  Aliás, eu me dediquei à maternidade por 4 anos!   
Assim que descobri a Endometriose e que comecei a tentar engravidar, fazer cirurgia, fazer fertilizações, superar dois abortos e enfim engravidar dos geminhos, eu já estava me dedicando à maternidade.  Minha vida foi pausada pelo meu sonho de ser mãe, e eu vivi por esse sonho.

Não me arrependo e jamais me arrependerei por esses anos vividos intensamente.
Hoje sou uma nova mulher, sou mãe!

Então vamos lá!

Dia 12 de Junho de 2017.
Primeiro dia de aula dos geminhos.
Que emoção.
Arrumei os dois, preparamos as mochilas e lá fomos nós.
Fomos recepcionados pela Cuidadora master, ela que nos acompanharia nesses dias de adaptação.
Foi uma semana inteira de adaptação.

No primeiro dia ficamos todos lá por duas horas.
Os gêmeos conheceram o local, interagiram com as outras crianças e criaram laços com os cuidadores.

Eu e o papai apenas observamos.

Vocês sabem que eu não falo francês, né?
Apesar de entender até que razoavelmente, eu não consigo falar, dialogar, então tinha o papai ali como meu tradutor e intérprete.

Ficamos todos bem, saímos de lá depois das duas horas e mantivemos a nossa rotina.

No dia seguinte, ficamos lá por 4 horas, sendo que após duas horas, eu e o papai saímos por meia hora.

Eles choraram.   Eles choraram muito quando perceberam que o papai e a mamãe saíriam.
Ahhhh e não se sai escondidinho não viu!
Tivemos que pegar os dois, abraçar e explicar que sairíamos mas que logo estaríamos de volta.

Claro que eles não entenderam e não aceitaram.
Choraram e gritaram.

Meu coração parou.  Eu tremia.
Na recepção eu ouvia os gritos.
Minha vontade era voltar, pegar os dois e sair correndo.
Não o fiz, claro!

Em poucos minutos só se ouvia risadas e gritinhos de alegria na sala deles.

Na sala deles, que inclusive é a única sala da Creche, existem 11 crianças.
De cinco meses à três anos, todas juntas.
Lá eles brincam, fazem atividades, cantam, tem aula de música, dormem, se alimentam.

A Creche é bem pequena mas é muito organizada, muito limpa e extremamente cativante.  O método Montessoriano é o que é aplicado.

Após a meia hora, voltamos para vê-los.
Chegamos na porta de vidro e pudemos vê-los.   Quietinhos, brincando com os brinquedos e outras crianças.

Ficaram super bem.

A cuidadora nos explicou que é normal esse choro, que logo eles se adaptarão, que estávamos dentro do esperado.

Ficamos por mais duas horas e voltamos todos para casa.

No terceiro dia, era dia de PicNic no parque.
Na França é comum as crianças passearam com os cuidadores, mesmo as bem pequeninas.
Me apavorou a ideia de levarem meus filhos para o parque.   Atravessar ruas movimentadíssimas, deixa-los brincando num local público...
Não gostei e fiquei muito insegura.
Nesse passeio os pais foram convidados mas era opcional.  É claro que fomos!

Que delicia de passeio!
As cuidadoras francesas são muito seguras e corajosas!
Tudo correu perfeitamente bem.  Muitas crianças estavam sem seus pais e tudo correu perfeitamente bem.

Fizemos o PicNic, cantamos, interagimos com os pais presentes e fomos para casa.

No quarto dia de adaptação, ficamos na sala por apenas 5 minutos e saímos por 2 horas.
De novo, chororô acompanhado de gritos estridentes.
Franceses não estão acostumados com gritos com esses timbres.   Era nítido o incômodo deles.
Mas mesmo assim nos disseram que era o esperado.

De novo, em apenas cinco minutos não se ouviam mais gritos.

Voltamos após as duas horas e pronto!

No quinto e último dia de adaptação, apenas os deixamos lá e voltamos após 5 horas.
Foi o primeiro dia que almoçaram lá e almoçaram tudo!
Foi o primeiro dia que tiraram a soneca da tarde lá e dormiram!
Estavam felizes quando chegamos.

Essa foi a nossa semana de adaptação.

De segunda à sexta.
Não precisou mais do que isso e aliás, mesmo se precisasse, não poderíamos estender a adaptação.
Franceses são rígidos com as regras.  Exceções quase não existem e conosco não seria diferente.

Na segunda semana eles já entendiam que ficariam lá, que iríamos mas que voltaríamos.
Logo os choros cessaram e eles demonstravam muita alegria de estar lá.
Brincavam, interagiam e voltavam exaustos para casa.

Em alguns dias temos sim uma manha, um dengo, um agarro no pescoço da mamãe, mas nunca mais tivemos gritos absurdos.

O meu coração de mãe sofreu nos primeiros dias em que eles ficaram lá.
Eu saia sem rumo, sem ar.
Confesso que tive que cuidar da minha mente para não ficar depressiva.
A minha impressão era de que eu não servia para mais nada, que só sabia ser mãe.

A minha mente parece que estava anestesiada.
Não sabia mais como me comportar sem ser ligada no 220, correndo para um lado e para o outro e nem com o silêncio da casa eu sabia lidar.

Eramos 4 e do dia para a noite eramos apenas 2.
Meu dramático, eu sei!
Mas foi o que eu senti.

Os dias passaram, eu me ocupei e espantei esse sentimento.

Agora estou curtindo muito ter um tempo para mim.
Me cuidar, respirar, fazer coisas para mim.

Tudo passa não é mesmo?
Meus bebês estão crescendo.

Daqui duas semanas voltaremos para Paris e estou ansiosa para saber como eles entenderão todas essas mudanças.

Não é do jeito que eu desejei.
Já queria estar em Paris, na nossa rotina lá, na nossa casinha.
Mas hoje é o trabalho do papai que nos mantém e é a nossa prioridade.

Também estou feliz com geminhos na escolinha aqui,
Mesmo sendo tudo tão diferente da França, nosso Brasil é maravilhoso e as pessoas fantásticas.

Logo quero escrever contando para vocês todas as diferenças entre Brasil e França no quesito Escolinha!
Quero escrever com a mente aberta!  A realidade nua e crua!

E como sempre, olha os geminhos ai!!!!

Chegando na Creche na França


Voltando para casa após um dia inteiro na Creche (Paris)



















Passeando aqui no Brasil



















Beijos
Faby
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Sobre Fabiana Cayres

Fabiana, 34 anos, especialista em Tecnologia da Informação. Portadora de endometriose e após quatro tentativas de Fertilização in vitro, tornou-se a mamãe dos gêmeos Mariana e Gabriel. Neste cantinho vou compartilhar com vocês a rotina maluca de uma mamãe de gêmeos que não tem ajuda para cuidar dos pequenos. Sou mamãe de primeira viagem e de gêmeos!

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